“O homem do perfume árabe”.
Dessa forma a escritora Gabriela Santos definiu Ademir Pestana, presidente da Sociedade Portuguesa de Beneficência ao ser recebida por ele em recente visita ao hospital.
Negra e com deficiência visual, a jovem escritora Graziela Santos é o que se pode chamar de personificação do otimismo. Focada em soluções, encara os desafios projetando resultados positivos em tudo que faz. E faz muita coisa além de se fazer presente e atuante na cena cultural. Conversar com Graziela a impressão que se tem é que ela não é ligada a temas de resistência como dizem a seu respeito.
“Ela é própria resistência” disse Ademir Pestana ao recebê-la e ao ser por ela contemplado com um exemplar de seu primeiro livro “Graziela Entrelinhas”, verdadeiro rosário de emoções com contas maiores, outras menores explicitando reflexões e memórias através de temas como amor, espiritualidade, esperança, dores, espiritualidade, superação e conexão com as pessoas.
Antes mesmo de conhecer a leitura oferecida pela obra, apenas com uma vista d’olhos aleatória, a emoção era visível no semblante de Ademir que através de um abraço à visitante, se ateve à lembrança de uma metáfora ao dizer “… enxergar com os olhos do coração e ver muito além do que a visão alcança”.
Graziela que desde tenra idade escrevia em diários, folhas de papel soltas do caderno escolar, suas ideias, sonhos e ensinamentos e frases de estímulo de seu pai Luiz Gabriel de Jesus (falecido em 2024) que lhe dizia não guardar para si esse tesouro (sua escrita), mas dividir com quem alcançar. Incentivada por um amigo que encontrou suas anotações, decidiu, em homenagem ao pai, seguir sua orientação. Além do primeiro livro “Graziela Entrelinhas”, a escritora divulga seus muitos textos através de audiovisual com voz própria e também com uso de Inteligência Artificial (IA), do Instagran e de outras plataformas. Atualmente está trabalhando um livro de autoficção, ainda sem data de lançamento. Ela perdeu a visão em 2020.
Acompanhada da bailarina Tatiana Justel, Graziela foi ao hospital para agradecer o acolhimento que teve durante recente internação e foi surpreendida pelo presidente da
Instituição, Ademir Pestana que a agradeceu por tê-lo distinguido pelos “presentes”: visita, livro, exemplo de vida e mensagem de otimismo. No abraço de despedida, a sensibilidade da escritora com relação ao perfume usado pelo anfitrião. “O perfume, tanto quanto o abraço diz muito sobre a pessoa. Eu estou feliz por conhecê-lo”. Ato final pediu para que ele se descrevesse.

